Sempre fui uma pessoa que reclama do setembro amarelo

Sempre fui uma pessoa que reclama do setembro amarelo, mas hoje devo ter sido cutucada em sonho e acordei pensando que deveria elaborar algo a respeito. Hoje, Sol e Lua estão em signos que lhes colocam debilidade. Sol e Lua representam a vida, em debilidade, representam as dificuldades impostas a ela ou até mesmo a morte. Reclamo da campanha porque acredito que na maior parte das vezes ela não acessa o seu público alvo. Digo isso com conhecimento de causa, pois a minha cabeça já me levou a lugares terríveis e limítrofes. O único traço que talvez possa ser apontado a respeito de todos os casos de sofrimento psíquico profundo como a depressão aguda e o pânico é a solidão. O que se experiencia é indizível, incompartilhavel, são dores gigantes e inexplicáveis. Uma amiga uma vez me disse: “eu entendo que eu não entendo porque eu já vivi isso e ninguém podia entender”. Isso foi forte pra mim porque ela conseguiu entender que não havia formas de minorar a minha solidão, nem de me abraçar no abismo em que eu me encontrava. Essa amiga que eu amo muito tem a Lua em Capricórnio, a Lua de hoje. Sim, é difícil acessar as pessoas acometidas de Saturno, essas prisões mentais, mas não é impossível. O que se precisa é ouvir a experiência de cada um que já esteve na beira do abismo. O que se pensa ali não é bonito, não é contornável por uma frase simples do tipo “alguém precisa de você”. Quando se está deprimido tudo tem um significado ruim. “Alguém precisa de mim e mesmo assim eu não consigo me sentir ligada à vida”, é o que se pensa nesse caso e aí a culpa, e aí mais dor. Já assistiram “Divertidamente”? Quando se esta deprimido é como se todas as pontes que te ligam ao mundo estivessem caído. Pra não terminar só na reclamação vou aproveitar as linhas que me restam pra fazer uma sugestão: remédio e cachorro, cachorro e remédio. Não julguem as drogas psiquiátricas, não julguem o paciente de saúde mental como aquele outro, aquele estranho que você nunca será. Deixem os cães fazerem o que fazem de melhor: amar profundamente sem exigir nada em troca, sem demandar demonstração efusiva de afeto e, sobretudo, lembrem-se: “enquanto existir manicômio, você poderá ser o próximo”.