Bom dia com o Sol em Libra, a sua queda e a Lua em Aquário, o exílio da luz. Quem não pode tomar Sol no dia de hoje já sabe, só cavando um buraco fundo terra adentro. O trajeto que os luminares fazem daqui até o Dia dos Mortos é tenebroso, mas previsível. Todo ano é a mesma coisa: góticos bebem vinho de baixa qualidade nos cemitérios das menores cidades do país rememorando vidas passadas, romantismo do século XIX e suas idealizações sobre Idade das Trevas. O teatro de vampiros se confunde com os acordes de Evanescence e quando nos damos conta estamos transportados ao salão luxuoso e igualmente decadente de uma cena qualquer de Interview with the Vampire. São os ecos dos anos 1980, aquele marcado pela Grande Conjunção Júpiter-Saturno em Libra, esse gótico lindo de morrer que adentrou anos 90 empalidecendo Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas e reluzindo suas tezes aos quatro cantos obscuros do mundo. É a debilidade do Sol, o culto à noite, a epidemia da cocaína e a vontade extraordinária de não ser ninguém, de não ter sombra, de passar despercebido e ao mesmo tempo ser tudo, maravilhoso e assombroso pacto com o Tempo, ver a frieza da morte e o distanciamento do peito, alimentar-se de sangue para aplacar uma fome que não se sacia. É assim que as Grandes Conjunções influem na arte, na estética e nos sentimentos de uma Era. Desde de 2020 estamos mais uma vez numa Grande Conjunção que debilita o Sol e cá estamos nós temendo a morte representada justamente pela vida, o Astro Rei. Mas o Sol está em Libra e os raios solares arrefecem nosso humor e nos dão a capacidade de ouvir, genuinamente entrevistar, ouvir o que de nós se desejam e com beleza e elegancia conquistar uma taça de calor e vida.
Venha me beijar
Meu doce vampiro
Uô uô uh
Na luz do luar
Aah, venha sugar o calor
De dentro do meu sangue
Vermelho
Tão vivo, tão eterno
Veneno
Que mata a sua sede
Que me bebe quente
Como um licor
Brindando a morte
E fazendo amor
Meu doce vampiro
Uô uô uh
Na luz do luar
Aaah, me acostumei com você
Sempre reclamando
Da vida
Me ferindo, me curando
A ferida
Mas nada disso importa
Vou abrir a porta
Pra você entrar
Beija minha boca
Até me matar