Hoje é quarta feira, dia de Mercúrio. A Lua está a 25 graus de Gêmeos, o signo do estudo.

Hoje é quarta feira, dia de Mercúrio. A Lua está a 25 graus de Gêmeos, o signo do estudo. Às 17h12 a Deusa segue para Câncer, o seu domicílio, a sua zona de conforto, o seu ninho, o seu aconchego. Câncer é o signo das lembranças, aquele que está sempre com a cabeça voltada para as origens, a memória e por isso representa a História com H maiúsculo. Essa semana o #tbt chega mais cedo e diante do buxixo astrológico dos ultimos dias, reposto um texto que escrevi no ano passado:

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Nenhum país da América praticou a escravidão em tão larga escala quanto o Brasil. Do total de 11 milhões de africanos deportados e chegados vivos nas Américas, 5 milhões foram trazidas para o território brasileiro para serem exploradas da maneira mais vil vista pela humanidade. A tragédia empreendida pela elite branca por séculos nessas mesmas terras que hoje pisamos é perpetuada até os dias atuais através da manutenção do racismo e da cada vez mais aguda acumulação de riqueza. Não há nada remotamente parecido com a escravidão. Nem o trabalho livre no mundo capitalista por mais exploratório que ele seja. A palavra “escravo” vem sendo, inclusive, rejeitada pela historiografia por estar impregnada do esforço escravocrata em estabelecer a ideia de que essas onze milhões de pessoas e todos os seus descendentes negros eram desprovidos de vontade, subjetividade e ação devido às suas supostas características inatas e ao regime de trabalho sob o qual elas foram violentamente submetidas.

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Não por acaso foi justamente no Brasil que surgiu a ideia de “escravo astral”. Tecnicamente o sexto signo a partir de um outro qualquer. A justificativa seria de que, como a casa 6 se refere historicamente aos servos, empregados e escravizados, todos aqueles que possuem o Sol na sexta casa a partir do seu Sol seria seu “escravo”. A sucessão de erros é tão absurda que não cabe num post de ig. Mas o que eu quero falar aqui é que, além da violência histórica e contemporânea já mencionada, pesa a normalização, banalização e disseminação desse regime para as nossas relações íntimas cotidianas. Repito: não há nada nem remotamente parecido com a escravidão e nem com o que foi feito a partir da palavra “escravo”. (1)