Hoje é segunda feira, dia da Lua, que está em Escorpião, o signo dos remédios.

Hoje é segunda feira, dia da Lua, que está em Escorpião, o signo dos remédios. Hoje venho com notícias do século passado. Na primeira imagem que você vê acima, a Lua Nova em Capricórnio de 7 de janeiro de 1932 para a cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Foi durante essa Lunação, que Getúlio Vargas inseriu a Cannabis indica na lista de “substâncias tóxicas entorpecentes” a serem reguladas pelo governo federal. O decreto n° 20.930 de 11 de janeiro de 1932 estabelecia penalidades severas para pessoas que vendessem ou ministrassem a erva sem autorização médica. Era o estabelecimento do monopólio médico sobre o remédio e da farmácia sobre a sua venda. No mapa dessa Lunação, vemos a Lua, significadora dos entorpecentes, exilada como se uma uma geada lhe queimasse até a raiz. A Vênus, significadora dos lenitivos e por isso também significadora da maconha, na casa 7, a dos inimigos declarados. Uma guerra contra um fármaco de gênero feminino. Lua é Vênus submetidas a Saturno, a foice, aquela que corta o mau ou o bem pela raiz. Lua exaltando Marte, a força armada do Estado que, pra não variar, vivia um período nada democrático. A casa 6, além de ser o júbilo de Marte e justamente por isso, é a casa da clínica, da medicina científica que, ao contrário da Lua, estava muito bem, obrigada, com a Deusa, a Erva, sob seu domínio e bem longe das mãos do povo. Como cereja do bolo, Mercúrio aos 23 de Sagitário puxa a tropa sob a luz de Ras Alhague, aquela que tem os venenos e o remédio na palma da mão. Corre o contrabando como quem diz à lei: nunca serão. [Análise do segundo mapa aqui nos comentários]

 

A criação de uma forma legítima de se usar maconha, no caso aquela que está aprovada pela comunidade científica, não por acaso, branca, rica e masculina, acarreta, é claro, na criação de uma forma ilegítima de se usar a erva, não por acaso, negra, pobre e feminina. A criminalização não era da erva, afinal, quem inventa crime é gente e quem comete também. A perseguição aos usos tradicionais da Cannabis no país contou com uma segunda determinação legal que organizaria com mais eficácia (ou não) a fiscalização de entorpecentes no Brasil. Ali, ampliando o termo para Cannabis sativa, maconha, diamba, liamba e “outras determinações vulgares”, o Estado ampliava não apenas o termo, mas o aparato repressivo a nível nacional

 

[Última]. No segundo mapa que acompanha o post, a Lunação de Escorpião de 1938 mostra as Deusas, Lua e Vênus em Escorpião, mais uma vez em debilidade essencial, condição de vexame e humilhação. Paradoxalmente a Vênus jubilada como uma benzedeira muda que segue de cabeça erguida em meio à ilegalidade. Enquanto o mapa anterior parece versar sobre a regulação do controle medicinal da planta, esse segundo parece versar mesmo sobre quem pagaria o preço da nova política. Marte e Saturno angulares indicam a força da polícia e da instituição. Saturno em Áries construindo um aparato sobre um terreno instável prestes a desmoronar. Marte em Libra na 4, em mútua recepção com a Vênus, o soldado que balança durante a semana entre o ofício e o curandeiro.