Hoje é segunda feira, dia da Lua, que está em queda em Escorpião, na décima primeira de Capricórnio onde se encontra o Sol. Essa relação de sextil sugere amizade, quiçá irmandade, o quer dizer que Cabra e Lacrau se dão bem no que fazem juntos, o problema é o que esses dois fazem juntos. Não que o signo faça alguma coisa, vocês sabem, me refiro aos planetas quando dispostos dessa forma, trajados com essas armas, imbuídos desses interesses, desse temperamento e estética. É claro que entre um Sol Cabra e uma Lua Lacrau não há de se esperar que se faça a arte do status quo. Nada aqui sugere um exercício luminar convencional, um pai protetor ou uma mãe amorosa, um menino de família estruturada, uma menina de lar harmonioso. O Sol no sexto signo a partir de seu domicílio e sob o signo de Saturno, seu arqui-inimigo, narra a história de um homem que ao invés de liderar se põe a trabalhar. Um artista que bate laje pra ter dinheiro de publicar a sua arte. A arte será revelada, essa é uma grande certeza, mas a forma como a alcançou e o conteúdo que nela estará contido, possuem qualquer coisa de diferente, uma vírgula, uma quebra de expectativa que gera o efeito magnetizante, interessante, seduzente. Já a Lua na sua queda, uma menina sem um berço cor de rosa, uma criança que não teve tempo de ser inocente, um menino de 11 anos que sai de Pernambuco para viver nas ruas do Rio de Janeiro, um Bezerra da Silva. O que não tem remédio, remediado está. Se este é o destino que Deus me deu, é ele a quem eu vou abraçar. A Lua no quinto signo a partir do seu domicílio, sem perceber, vira rainha do seu próprio maternar. Sem romantizar a miséria, há de se reconhecer a sua capacidade de encontrar sustento no lixo, ouro na terra, amor em SP. De hoje pra amanhã a Lua leva o recado da Vênus ao Sol. Todos os dias, na mais árida terra, no mais pernicioso ninho, pessoas operam milagres com as próprias mãos.
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Bom dia, meus inadimplentes.
Meu nome é Thamires e esse é o Astrologuês Fluente.