Lacropolítica e Astrologia

Qual o mapa da cadeirada, me perguntaram hoje pela manhã. Eu, é claro, já havia me feito essa pergunta ontem no calor dos fatos. Não é fácil analisar um mapa de um fato desses sem fazer um sem número de ponderações antes. A primeira delas é a premissa filosófica antiquíssima de que o céu é perfeito, o mundo é que corrompe a si mesmo. A segunda, derivada da primeira, é que mapa astral não é caráter. A tradução do céu oferecerá elementos poéticos, signos, imagens, propostas discursivas para determinado evento, não o julgamento sobre quem está certo ou errado, sobre quem é bom ou ruim. Dito isso, a cadeirada tem Marte em Câncer como o seu desferidor. Isso não quer dizer que todo mundo que tem Marte em Câncer um dia vai dar uma cadeirada no Pablo Marçal (quem pensou “quem dera” não vai para o céu). Mas Marte é o planeta responsável pela coragem e pela boa briga. Em Câncer ele se encontra debilitado e por isso pode representar cenas indignas de covardia, barraco desmedido e picuinha. Isso tampouco quer dizer que quem tem Marte em Câncer seja incapaz de frieza e estrategia, duas características cancerianas (Malcom X que o diga). Fato é que Marte sob o signo da Lua, põe a nossa ação à prova de fortes emoções. Quem tem os nervos de aço que atire a primeira pedra, os nervos estão à flor da pele. Outro fato é que Marte e Júpiter, os dois machões do céu, se encontram em debilidade por esses meses fazendo com que a masculinidade se torne ainda mais frágil. Vocês sabem, a fragilidade masculina junto com o racismo e a luta de classes é o combustível da maior parte dos homicídios do país. Pra nós, mulheres, quem ganhar e quem perder, vai todo mundo perder. A começar pela cadeira, substantivo feminino. Mas como também está no mapa de ontem e de hoje o Mercúrio em Virgem, essa máquina de memes que o brasileiro conhece tão bem, nos resta é rir da nossa desgraça pra poder atravessar essa segunda feira braba.