“Se a gente olha tudo, de um jeito vagaroso, tudo é sagrado”, disse a deusa taurina @obscenalucidez . Essa frase me toca de uma maneira tão linda que da vontade de nem escrever mais nada. Só contemplar. Se quiser parar de ler por aqui eu já me dou por satisfeita.
No instante em que escrevo, o Sol se encontra a horizonte leste da cidade do Rio de Janeiro. Pertinho dele, Mercúrio brinca com fogo e lá pro meio dia chega ao coração do Astro Rei. Mercúrio Retrógrado em Escorpião é a xepa da feira, é voltar pros restos e garimpar minuciosamente o alimento que nos porá em pé. É dessa feira tardia que Mercúrio e Sol avistam a Lua, a dona do dia, digníssima aos 5 graus do Touro, preparando uma panela pra alimentar toda a cidade. A comida é preparada vagarosamente, como uma mãe que mastiga antes de dar ao filhote, como se ela pudesse digerir e levar pronto para o menino e o pai, lá do outro lado, no território de Escorpião. Touro tem quatro estômagos. Escorpião digere tudo fora de si. Os opostos não se complementam, eles se vêem. Dessa contemplação as vezes surge até a semelhança. Mercúrio e o Sol, batalhando os restos da xepa, dispostos por Marte, ainda em Libra, se atentam ao Outro, quem diria? A Lua, disposta por Vênus, e esta, por Júpiter, ambos enamorados em Sagitário, digere o sagrado alimento que nos mantém vivos. Lá e cá percebemos que tanto Touro quanto Escorpião, cada um a sua maneira, exigem Tempo. O tempo de seguir os restos da feira, o tempo de cozimento a fogo baixo. Daqui a pouco nascem Vênus e Júpiter aqui na minha cidade, vou passar um café pra olhar vagarosamente esse milagre cotidiano. Bom dia.
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