Tenho pra mim que existem sertanejos brasileiros que de tão interioranos chegam a ser paraguaios. A Lua quando em Sagitário oferece a oportunidade de abrir mão das fictícias fronteiras, prisões imaginárias, e perceber que a terra é una e o nosso coração desconhece os limites. Escrevo da fronteira do Brasil com a Bolívia, mas hoje puxei ferro ao som da melhor polca paraguaia, uma espécie de guarânia ou chamamé que aqui mais pro norte tem se transfigurado em um rasqueado popularizado no Brasil na tradução da inesquecível galopeira, por vocação de Júpiter em Gêmeos, por Milionário e José Rico e um pouco mais tarde Chitaozinho e Xororo, cujos tradicionais cortes de cabelo remetem inevitavelmente aos Karajás do Tocantins.
.
.
.
Almir Sater, Sonhos Guaranis.
.
Mato Grosso encerra em sua própria terra sonhos guaranis
Por campos e serras a história enterra uma só raiz
Que aflora nas emoções e o tempo faz cicatriz
Em mil canções lembrando o que não se diz
Mato Grosso espera, esquecer quisera o som dos fuzis
Se não fosse a guerra, quem sabe hoje era um outro país
Amante das tradições de que me fiz aprendiz
Por mil paixões podendo morrer feliz
Cego é o coração que trai
Aquela voz primeira que de dentro sai
E às vezes me deixa assim
Ao revelar que eu vim
Da fronteira onde o Brasil foi Paraguai