Bom dia, caros leitores e ouvintes desse periódico rádio que vos fala. Hoje a Lua Míngua em Capricórnio. Secura, carestia, melancolia. Em Capricórnio a Lua encontra o exílio da nutrição, do afeto, aconchego. Tem pouco para si, mas tudo o que ela tem, ela dá. E se isso não for a coisa mais linda do mundo eu nao sei o que é. Sou historiadora, astróloga e amante da arte pelo mesmo motivo: eu sou apaixonada pelo o que as pessoas fazem com o que têm às mãos. E as vezes o que elas têm é muito pouco e a arte de sobreviver se parece com um milagre. A seguir três músicas de um mesmo disco de uma Lua em Capricórnio, crescente. O músico que eu mais amo na vida. Paulinho da Viola
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“*Lamentação*
Em meus olhos água
em meu peito mágoa
minha boca vazia
igual minhas mãos
e meus ouvidos cheios de lamentação
Sem ideal
Esperando o carnaval
pra matar minhas penas
na esperança que um canto
venha sufocar meu pranto
mas carnaval são três dias apenas”
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“*Jurar com Lágrimas*
Que me ama
Não adianta nada
Eu não vou acreditar
É melhor nos separar
Não pode haver felicidade
Se não há sinceridade
Dentro do nosso lar
Se aquele amor não morreu
Não precisa me enganar
Que seu coração é meu”
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“*Nada de Novo*
Papéis sem conta
Sobre a minha mesa
O vento espalha as cinzas que deixei
Em forma de poemas antigos
Relidos
Perdido enfim confesso
Até chorei
Nada mais importa
Você passou
Meu samba sem razão
Se acabou
Um sonho foi desfeito
Alguma coisa diz
Preciso abandonar
Os versos que já fiz
Nada de novo
Capaz de despertar
Minha alegria
O sol, o céu, a rua
Um beijo frio, um ex-amor
Alguém partiu, alguém ficou
É carnaval
Eu gostaria de ver
Essa tristeza passar
Um novo samba compor
Um novo amor encontrar
Mas a tristeza é tão grande no meu peito
Não sei pra que a gente fica desse jeito”
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Quem quiser ouvir estão todas no álbum de 1970.
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