Todo luto pede resguardo, silêncio. Mas há uma única exceção. É quando aquele que findou a sua passagem pela Terra foi pessoa que dedicou a vida toda à música. Aí o adequado é que se toque e que se cante e que se erga a cabeça e que se permaneça em luta e festa para que se honre a sua trajetória. Na astrologia temos que a pessoa parte sob a Lua a qual dedicou a sua vida. Chico se foi em um dia que o céu não era nem céu, era um hino. Uma Lua em Câncer. Cheia. Um oásis no deserto. A nascente do rio. A abundância de quem tem não só para si, mas para espalhar pro mundo todo. Assim era seu sorriso. Assim era sua arte. Quanta gentileza. Quanta generosidade. Naquele dia eu escrevi que era dia do Velho Chico. O rio que corta o agreste levando a vida por onde passa. E hoje cá estamos falando do Jovem Chico. Outro enorme. Outro rio que passou em nossa vida. Um rio que pulsa dentro de nós porque nos alimentou, nos alimenta e nos é constitutivo. A importância do céu daquele dia é a prova celeste da sorte que foi tê-lo atravessando o sertão que é o mundo de cá. Torço pra que no mundo daí você encontre a abundância que você tanto lutou para ver distribuída. Desejo que a magnitude do seu sorriso conforte o quanto antes o coração da Bel, da sua família e de todos nós, seus amigos, seus alunos, seus fãs, seus admiradores, seu mundo todo que de cá segue admirado. Chico Enorme. Chico Presente.