Olimpíadas

As olimpíadas são festividades tradicionalmente dedicadas à Zeus, Júpiter, o Deus maior do Olimpo. A cerimônia abertura das Olimpíadas de 2024 foi iniciada sob os 29 graus de Sagitário, signo de Júpiter e Júpiter, o próprio, aos 13 graus de Gêmeos. Em astrologuês dizemos que Júpiter quando em Gêmeos se encontra em exílio, fora de casa, longe de sua zona de conforto. A cerimônia dissolvida pelas ruas de Paris corresponde, pro bem e pro mal, com esse posicionamento celeste. Subversão, estranhamento, dificuldade, pulverização, simultaneidade, mas, a despeito de todas as críticas, a ida da elite esportiva mundial às ruas, território do cotidiano e ordinário Mercúrio (o dono de Gêmeos), não deixa de ser uma bela correspondência celeste para o exílio de Zeus. Comove em particular a paridade de gênero entre as atletas, feito mínimo, mas nunca antes denotado na história do mundo em jogos olímpicos. Júpiter quando em exílio, no melhor ponto de vista possível, dá a possibilidade de se rever as regras que já não cabem em nossas vidas, as leis que já não se encontram nas práticas humanas. Demorou mas veio aí, na terra de Simone de Beauvoir, simbolizado por um casal negro acendendo a pira olímpica no centro da nação que inventou a nação, na terra onde se inventou a liberdade na mesma época em que praticou a escravidão, que instituiu o racismo científico sob o nariz da igualdade e da fraternidade e nos saqueou a todos em matéria, em ideias, identidades e sonhos. Sem a Rússia, mas com Israel. Cheio de democracia e nenhuma equidade. Sob Júpiter em Gêmeos as verdades não são fáceis, as respostas não são óbvias, as contradições são evidentes e os árbitros que lutem.