Se tiver uma casa astrológica que representa a “Avenida”, com A maiúsculo, a Marquês de Sapucaí, que casa seria? Com tantos olhares voltados para ela poderíamos dizer a 10, o mais alto e exposto ponto de um mapa. Mas pra além da TV e das arquibancadas, quem ali pisa não tem dúvida: é 3. É avenida, beco, curva, cruzamento, encontro, fluxo, diversidade, povo. É a casa 3. O júbilo da Lua, a mais popular de todas as luzes do céu.
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Hoje a Lua ficou nova em Peixes, é quase sempre assim no Carnaval. No céu de Brasília, o encontro ocorreu na casa 2 do mapa. Luminares dispostos por Júpiter, Júpiter em Áries na casa 3, a Avenida. Ascendia no horizonte os 2 graus de Aquário às vésperas do nascimento de Mercúrio e Saturno em Aquário, ambos felizes que só. Mercúrio abre alas, quem piscou mais lento só abriu os olhos quando a Velha Guarda passou. Os 2 graus de Aquário é onde se vê Altair, a alfa da constelação da Águia, ave de rapina, de quem vê acima e adiante sempre, a que destina gente de visão e de ambição.
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Em instantes, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela pisa a Sapucaí para comemorar os seus 100 anos de fundação. 100 anos, senhoras e senhores. Uma escola criada por descendentes diretos de africanos escravizados nas fazendas de café do Vale do Paraiba. Longevidade indicada por seu Saturno Natal, Libra, reverenciado pelo Saturno de seu centenário: Aquário. Que venham mais 100 anos pisando a Avenida, lavando nossa alma, resistindo ano após ano, com os olhos no futuro, com a garra imbatível. Governos nascem e morrem todos os dias. O povo permanece, resiste e reconta sua história ano após ano. Corpo altivo, olhos de Águia.
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Todo o resto é efêmero.
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A arte maravilhosa é da @camilacomumlso inspirada pelo azul de Saturno, a cor mais fria, longa e distante, azul do céu, do mar, do rio que passou em nossa vida, Portela.